manifestos
A Joia como campo de presença
A joia não começa no metal.
Começa no gesto que a antecede.
Antes da forma, há o corpo.
Antes do brilho, há o tempo.
Antes do objeto, há um campo invisível
onde matéria, intenção e memória se encontram.
Neste trabalho, a joia é tratada como objeto vestível e dispositivo simbólico. Ela não se limita a adornar — ela participa. Carrega vestígios de processos, escolhas, acidentes e silêncios que atravessam a matéria e se inscrevem na experiência de quem a habita.
O gesto manual não é apenas técnica.
É linguagem.
Cada superfície guarda uma história de calor, pressão e escuta. Cada irregularidade é uma assinatura do encontro entre controle e imprevisto. O metal deixa de ser suporte e passa a ser território — onde corpo, símbolo e tempo se reconhecem.
A joia, aqui, não representa.
Ela presencia.
Este manifesto não estabelece um estilo, mas um campo — um espaço onde arquitetura, produção simbólica e linguagem editorial se cruzam para sustentar a joalheria contemporânea como prática cultural e sensorial.
